A importância de se ter um grupo forte.
Tem me preocupado muito no futebol brasileiro e principalmente, nesta fase do campeonato de pontos corridos, o grande número de contusões ocorridas na reta final da competição. O planejamento dos clubes, foi engolido pela Copa do Mundo. Já escrevi aqui, sobre a forma acelerada em que foi reiniciada a disputa nacional, pela obrigação do cumprimento do calendário esportivo brasileiro.
Não existe organismo que suporte tantos jogos. A partir do dia 14 de julho os atletas de futebol no Brasil, ficaram envolvidos com jogos da Copa do Brasil e Brasileiro, divididos em suas respectivas séries. Foram praticamente, 3 partidas por semana para as mais importantes e principais equipes, que, por serem grandes, disputam até 75 jogos por ano. Uma estatística assustadora da FIFA.
A atividade competitiva do atleta contemporâneo de alto nível é de 60 a 70 jogos, entre convocações para seleção, partidas dos clubes e encontros amistosos. De 50 a 60 partidas por 10 meses, os juvenis, garotos entre 16 e 20 anos, também entram na maratona. E acreditem, 40 partidas por ano para atletas em formação, sem contar o aumento do deslocamento dos clubes para viagens.
As partidas de hoje são mais corridas que as de antes. São de 93 a 90 minutos, atualmente, mas o tempo efetivo subiu de 55 para 60 minutos por partida. Dependendo da posição em que atua, o jogador percorre, entre 10 a 13 quilômetros por jogo. Um zagueiro corre de 8 a 10 Km; Volantes de 9 a 12; meias de 11 a 13 e atacantes de 9 a 10, tudo isso em um único compromisso.
O futebol é um esporte de esforços intermitentes de alta intensidade, exige do atleta resistência aeróbia e anaeróbia e também de velocidade. Tudo isso junto, exige treinamento, muito treinamento e também descanso e boa alimentação, para que haja tempo para a plena recuperação do corpo, que trabalha sempre em alta rotação. Além disso o lado psicológico pesa e nem sempre o torcedor quer saber disso.
Existem times que estão na frente da tabela, que começam a cair de produção, e que são cobrados pelos torcedores e imprensa, clubes que brigam na parte de baixo para não cair e que sobem ou até caem, antes mesmo de aparecer e aqueles que por causa da sua condição econômica, não têem “bala na agulha” para formar um grupo grande e de qualidade que realmente suporte o ritmo dos jogos constantes.
É preciso rever o calendário, pois a vida útil do atleta no Brasil está caindo ano após ano. O nível do futebol nacional está baixíssimo, porque os principais responsáveis em fazê-lo estão sempre entrando em campo no limite, técnico, físico e psicológico. Os interesses são muitos. E a cada dia que passa, se não houver uma intervenção das autoridades responsáveis, seremos testemunhas de situações desagradáveis ocorrendo dentro do campo de jogo. É uma pena.
Por isso, é preciso montar, não um time mas um grupo capaz de suportar tal esforço.
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